Já ouviu falar da Pink Tax?

 

Nana Lima

Apesar de que para muitos esse “imposto rosa” ainda seja um mito – principalmente para os próprios fabricantes -  um estudo do departamento de Consumer Affairs (DCA) da cidade de Nova Iorque comparou a versão feminina com a versão masculina de mais de 800 produtos. De camisetas a brinquedos, de higiene pessoal a utensílios para a casa. Todos os produtos estavam à venda e a única diferença entre eles era a embalagem (rosa vs. azul) e o direcionamento ao público (feminino ou masculino)

Em média os produtos direcionados ao público feminino – o famoso pinkwashed-  custam um 7% mais que os produtos para pessoa do gênero masculino. Porém, existem exemplos onde a diferença é muito maior:

Se o resultado desse estudo já é revoltante, ele só piora quando juntamos com a informação de que, em média, as mulheres americanas ganham apenas 79 centavos para cada dólar que um homem recebe, ou seja, 21% menos para exercer a mesma função.

Alguns exemplos que saíram no estudo:

O icônico modelo 501 da Levi’s custam $68 para os homens e $88 para as mulheres.

O mais gritante é a média de diferença entre shampoos e condicionadores, nós mulheres pagamos um 48% a mais do que os homens.

Mulheres pagam mais que homens 42% das vezes.

O jornal Washington Post entrou em contato com o varejista Target sobre a diferença de preços nos patinetes. Eles declaram que foi apenas um “erro do sistema”. Porém, quando lhe perguntaram por todos os outros produtos, eles responderam que o valor elevado está relacionado aos custos de produção (tinta rosa é tão mais caro assim?) e a outros fatores. Algo me diz que esse outro fator é a famosa “taxa por ser mulher”.

Em 1998 foi criada uma lei em NY proibindo a diferença de preço em serviços baseado somente no gênero, como por exemplo, cabeleireiro ou lavanderia. Infelizmente essa lei ainda não existe para produtos.

Um produto que apontou, em média, ser mais caro para os homens é a espuma de barbear. E antes que me apontem isso nos comentários, as casas noturnas geralmente cobram um preço mais alto para os homens. Meu conselho é, vamos todos boicotar esses lugares, porque isso nem deve ser uma prática legal.  

Apesar de parecer pouca coisa, o valor no final do ano desses centavos a mais que as mulheres pagam pesam muito. Um estudo feito em 1994 no estado da Califórnia apontou que as mulheres pagam, ao ano, uma média de $1,351 a mais que os homens pelos mesmos produtos e serviços.

Após o lançamento do estudo o DCA convocou todas as consumidoras a denunciarem esse tipo de abuso usando a hashtag #genderpricing sempre que se depararem com uma diferença de preço em produtos iguais.

Existem muitas coisas erradas com a pink tax, moralmente erradas. Porém, de um ponto de vista mercadológico, justificar um preço mais alto apenas por direcioná-lo a um público específico pode ser um tiro pela culatra. Quem disse que as mulheres querem tudo pintado de rosa? Como se isso fosse o atestado de um produto pensado e pesquisado para as reais necessidades femininas? Isso pode soar chocante para os fabricantes, mas muitas vezes não queremos/precisamos de um produto diferente. Ainda mais depois de saber que ele vem acompanhado da Pink Tax.

Para quem se interessou pelo assunto, recomendo os dois vídeos abaixo. O primeiro é da maravilhosa Elizabeth Plank, editora sênior do site MIC.COM, fazendo o teste da “Pink Tax” na prática:

 

O segundo é a Ellen Degeneres comentando sobre o lançamento da Bic - Bic For Her, uma caneta feita especialmente para mulheres: